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David Almeida autoriza aditivo de R$ 119 milhões à Hapvida, que possui prejuízo bilionário e acumula denúncias

A Prefeitura de Manaus, sob a gestão de David Almeida, formalizou o Termo Aditivo ao Contrato nº 001/2024 com a Hapvida Assistência Médica S.A., prorrogando por 12 meses a terceirização da empresa pelo valor global de R$ 119.927.162,48, por serviços de plano de saúde e assistência odontológica aos servidores municipais. A operadora registra um prejuízo de mais de R$ 100 bilhões, em quatro anos, na Bovespa, e acumula denúncias de assegurados em todo o Brasil, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS). Veja o documento completo:

Na bolsa de valores de São Paulo (B3), a Hapvida (HAPV3) registra uma queda acumulada de 92,7% no valor de mercado no período de 2021 a 2025, também figurando entre os piores desempenhos do Ibovespa (índice da B3) em novembro do ano passado com 47% de redução. A HAPV3 abriu o capital em 2018, e em 2021, anunciou a fusão com a NotreDame, passando a valer R$ 110 bilhões. Em 2026, a companhia registra R$ 8 bilhões na B3, com desvalorização de R$ 102 bilhões.  

O novo aditivo da Prefeitura de Manaus com a Hapvida foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) em 17 de dezembro de 2025 e prorroga a vigência contratual de forma imediata até o dia 17 de dezembro de 2026. No contrato anterior, o valor global da empresa era de R$ 108 milhões, com reajuste de 10%, o equivalente a R$ 11,9 milhões na cláusula prevista no contrato original e apoiado pelo parecer jurídico interno da Secretaria Municipal de Administração e Gestão (Semad), sem trazer detalhes.

Os recursos destinados ao pagamento do contrato são provenientes do Fundo de Custeio do Plano de Saúde dos Servidores Públicos do Município de Manaus (Manausmed), com empenhos realizados em dezembro de 2025. Parte relevante do valor foi comprometida ainda no exercício corrente, enquanto o saldo remanescente foi projetado para execução em 2026, prática que, embora amparada pelo princípio da anualidade orçamentária, amplia despesas futuras e reduz a margem de manobra financeira da administração municipal.

De acordo com o contrato aditivo, os empenhos envolvem contribuições dos servidores da Prefeitura de Manaus e aportes patronais do município, classificados na rubrica de serviços médicos, hospitalares, odontológicos e laboratoriais. O aditivo foi assinado pelo secretário municipal de Administração e Gestão, Ceno Bernardo, e pelo subsecretário do Manausmed, Heliandro da Matta Queiroz de Aquino, mantendo as cláusulas do contrato original.

Hapvida desvalorizada pelo Ibovespa

A desvalorização da Hapvida pelo Ibovespa [indicador da Bolsa de Valores de São Paulo) é atribuída à piora na percepção dos investidores, após revisões negativas feitas por grandes instituições financeiras, que reduziram projeções de crescimento e preços-alvo das ações. O movimento reflete dúvidas do mercado quanto à capacidade da companhia de ampliar sua base de clientes e gerar resultados consistentes, diante de questionamentos sobre sua estrutura operacional e eficiência. 

De acordo com dados da Bovespa, a queda da Hapvida, registrada em novembro de 2025, foi a pior desde a estreia da empresa na bolsa. O recuo ocorreu após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2025, que frustrou o mercado ao indicar perda líquida de beneficiários, especialmente no Estado de São Paulo. O resultado pressionou as ações da companhia. Apesar dos registros oficiais do mercado, a Hapvida nega o prejuízo.

Informações divulgadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar apontam que, em novembro, a operadora voltou a registrar redução no número de beneficiários, novamente concentrada no mercado paulista. Relatório do banco Goldman Sachs indica perda líquida de 18 mil usuários naquele mês e de 35 mil no acumulado do trimestre de 2025, sinalizando um cenário mais desafiador para o desempenho do quarto trimestre de 2025.

Segundo o banco americano, a HAPV3 ainda enfrenta dificuldades para retomar o crescimento em São Paulo. Em dezembro, a perda estimada foi de cerca de 20 mil usuários no estado, reflexo, principalmente, dos entraves no processo de integração das operações da NotreDame Intermédica, que continuam impactando os indicadores operacionais da Hapvida.

Investigações contra a Hapvida

Em Manaus (AM), unidades da Hapvida Assistência Médica Ltda. estão sob investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pela precariedade no atendimento a pacientes conveniados, de acordo com reportagens da CENARIUM.


Fiscalizações apontaram que hospitais da rede, incluindo o Hapvida Rio Negro e o pronto-atendimento da Cidade Nova, vinham ultrapassando os limites legais de espera, com atendimentos superiores a 30 minutos, em desacordo com a legislação local de tempos máximos de acolhimento. As unidades foram autuadas pelo Procon-AM por descumprirem normas de transparência e por obstruir a fiscalização, o que motivou abertura de inquérito civil para apurar a situação e possível assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta.


Decisões judiciais revelaram falhas operacionais das unidades da Hapvida. Em abril de 2025, um juiz determinou que a operadora autorizasse de forma imediata uma cirurgia para um paciente que corria risco de paraplegia após um acidente de trabalho, após a rede alegar falta de material e ausência de ortopedista no quadro clínico para realizar o procedimento.   


Críticas à qualidade do atendimento se estendem a relatos de usuários e familiares. Em um caso amplamente repercutido, parentes de uma paciente internada no Hospital Rio Negro relataram negligência e omissão de socorro, afirmando que a mulher ficou dias sob fortes dores sem que a cirurgia necessária fosse realizada, resultado na sua morte. Familiares classificaram o hospital como um “matadouro”, questionando a capacidade da operadora em prestar cuidados médicos básicos e urgentes.


O histórico de insatisfação com a Hapvida também motivou mobilização de servidores públicos em Manaus, que rejeitaram a contratação da empresa para gerir o plano da Prefeitura de Manaus. Funcionários públicos criticaram a deficiência e a má qualidade dos serviços prestados, apontando problemas já existentes no atendimento que, na visão dos manifestantes, dificilmente seriam resolvidos pela operadora sem ampliar a rede de prestadores conveniados, deficiências confirmadas pela ANS.

Procurada pela CENARIUM, a Prefeitura de Manaus não respondeu aos questionamentos feitos sobre o termo aditivo de R$ 119 milhões com a Hapvida em meio às informações sobre os prejuízos da empresa e denúncias aos serviços prestados pelos assegurados da operadora.

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