Plataforma de Zuckerberg lucra com fraudes contra famílias vulneráveis no Brasil
A investigação integra a série Quem Paga a Banda e mostra que, enquanto vítimas acumulam bilhões em prejuízos, a Meta, liderada pelo empresário Mark Zuckerberg, lucra com anúncios fraudulentos que se valem da vulnerabilidade financeira e digital da população.
A análise do Projeto Brief examinou 16 mil anúncios ativos na Biblioteca de Anúncios da Meta em setembro deste ano. Desses, 52% apresentaram indícios de fraude e 9% foram confirmados como golpes. A maioria estava relacionada a empréstimos e créditos consignados, direcionados a aposentados do INSS, trabalhadores CLT e beneficiários do Bolsa Família.
O levantamento aponta que a Meta obtém lucro a cada clique em anúncios fraudulentos, mesmo quando o destino é um golpe. “O crime opera às claras, sob a vista da própria empresa, que pouco faz para conter esse mercado ilegal – afinal, ele rende bilhões”, destaca o relatório. Em 2024, 97,6% da receita da empresa veio da publicidade, segundo documentos oficiais da própria Meta.
Os anúncios apresentam estética profissional, com imagens geradas por inteligência artificial e logotipos de bancos reais, como C6 Bank e Nubank, simulando credibilidade. Muitos direcionam o usuário ao WhatsApp, onde o golpe se concretiza. Nos comentários, vítimas relatam acreditar tratar-se de oportunidades legítimas de crédito – uma demonstração do nível de confiança que esses conteúdos conquistam.
Golpes exploram pessoas vulneráveis
A investigação também revelou que o nome do Bolsa Família é amplamente explorado em campanhas fraudulentas, que prometem “cartões extras”, “benefícios complementares” e até “adiantamentos” inexistentes. Esses anúncios direcionam para páginas falsas e formulários que capturam dados pessoais, muitas vezes solicitando o pagamento de taxas.
Situação semelhante ocorre com os beneficiários do BPC, alvo de golpes que se apresentam como “consultorias jurídicas” ou “serviços de revisão de benefícios”, oferecendo “ajuda para recuperar valores atrasados”. Tais páginas, com aparência institucional e linguagem técnica, simulam escritórios de advocacia inexistentes.
Segundo o relatório, as campanhas exploram o desespero financeiro e a baixa literacia digital, atingindo especialmente pessoas idosas, com deficiência ou dependentes de programas sociais, grupos com maior dificuldade de verificar a veracidade das ofertas.

Nenhum comentário