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Vizinhos do Brooklyn negam boicote: “Não é sobre ser contra a arte e a cultura”

O Brooklyn Bsb, localizado na Asa Norte, foi proibido de colocar mesas e cadeiras na área externa, após decisão judicial, em caráter liminar, a pedido da direção do Empório Cultural – estabelecimento vizinho ao empreendimento. A professora de música Michelle Fiuza, responsável pelo local que impetrou a ação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) negou que esteja promovendo um boicote ao café-bar e, em entrevista ao Metrópoles, alegou que o barulho do “vizinho” estava atrapalhando sua escola.

Segundo Michelle Fiuza, o estabelecimento que ministra aulas de música e teatro até 22h, apesar de possuir isolamento acústico, estaria sendo impedido de trabalhar com as janelas abertas [medida necessária para a contenção da Covid-19], uma vez que além do som mecânico vindo do café-bar, os professores precisariam driblar as conversas próximas às passagens de ar, onde mesas são colocadas.

“A gente nem sabia quem eles eram e o que eles faziam. Quando entendemos, começou a virar uma preocupação porque trabalhamos com música, dança e teatro. Sabemos que o silêncio por completo não existe, mas que é fundamental que a gente consiga ter uma estrutura que possibilite um contato próximo. Eu preciso ouvir o que as pessoas estão cantando e tocando”, justificou.

Michelle também reclamou do acesso dos alunos à escola, que estaria sendo prejudicado. “São obrigados a passar pelo meio do bar, onde várias pessoas estão sem máscara, músicos estão usando instrumento de sopro, etc. Começou a ficar muito difícil pra gente”, disse.

Ela afirma que os donos do Brooklyn chegaram a sugerir que os horário das aulas fossem alterados. Isso porque o encerramento das atividades do Empório coincide com o limite determinado pela Lei do Silêncio, que deve ser seguido pelos bares. “Como eu digo pra um aluno que tem aula às 20h, ‘vou ter que mudar sua aula porque o bar do lado faz uso irregular do espaço e tem música ao vivo fora da loja dele sem nenhum tratamento acústico’?”, afirmou. Os proprietários da casa vizinha negam uso irregular do espaço.

Sem acordo capaz de solucionar o impasse, a saída foi buscar a Justiça. “Utilizamos os meios legais. Não houve boicote. Inclusive, nossa ideia em momento algum é que eles encerrem as atividades, a gente apenas quer que eles funcionem dentro do que é permitido. Eu pago o aluguel de uma loja com 800 m² e tudo que a gente faz é la dentro. Eles pagam aluguel de uma loja muito menor e usam a área pública para o próprio benefício. Mas estamos sendo prejudicados”, questionou Michelle.

Ela destaca que mobilização feita pelo perfil do café-bar nas redes sociais tem gerado uma série de ataques ao Empório Cultural. “Isso foi muito desagradável para gente, muito chato. Temos recebidos mensagens com palavras de baixo calão, ataques, como se tivéssemos culpa de uma decisão da Justiça. É preciso destacar que a gente faz arte de forma academica e profissional há anos. Tenho vários colegas que já tocaram nos empreendimentos deles. Não é sobre ser contra a arte e a cultura”, conclui Michelle.

Ao Metrópoles, o DJ e empresário Chicco Aquino afirmou que a decisão da Justiça dificulta ainda mais a situação dos espaços culturais meio à pandemia de Covid-19. “As pessoas se sentem mais seguras do lado de fora. Conseguimos nos manter nessa crise justamente por causa dessa característica do Brooklyn”, afirmou.

(*) Com informações do Metrópoles.

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