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Abertura das Olimpíadas aborda pandemia e vê desfile reduzido do Brasil

Os primeiros minutos da abertura das Olimpíadas de Tóquio 2020, nesta sexta-feira, 23, encerraram o mistério em torno do tom da cerimônia dos Jogos: sóbria e minimalista na maior parte do tempo, com alguns momentos mais animados, e a referência óbvia à pandemia do novo coronavírus.

Com um público de cerca de mil pessoas, formado apenas por autoridades, profissionais e os próprios atletas, o espetáculo não viu o mesmo entusiasmo que marcou edições anteriores, mantendo um tom mais discreto. Mesmo assim, contou com as tradições habituais, como o desfile dos atletas, o juramento olímpico e o acendimento da pira, adaptados à realidade dos Jogos da Covid.

A participação brasileira no desfile também foi marcada pelo minimalismo. Ao contrário de outras delegações, que apareceram numerosas, o Comitê Olímpico Brasileiro optou por levar apenas quatro integrantes - os porta-bandeiras Ketleyn Quadros (judô) e Bruno Rezende (vôlei), Marco Antônio La Porta, Chefe de Missão, e Joyce Ardies, oficial e representante dos colaboradores do COB.

“Adoraríamos entrar com centenas de pessoas neste estádio. Mas o momento pede precaução. Saúde em primeiro lugar”, publicou o COB em uma rede social. 

No dia anterior, ao comunicar essa decisão, a entidade afirmou que “levaria em consideração a segurança dos atletas brasileiros em cenário de pandemia, minimizando riscos de contaminação e contato próximo, zelando assim pela saúde de todos os integrantes do Time Brasil”.

O acendimento da pira olímpica, celebrado como o grande final da cerimônia de abertura, carregou simbolismo. Entre os últimos carregadores da tocha, estavam um médico e uma enfermeira, representando os profissionais de saúde, e a atleta paralímpica japonesa Wakako Tsuchida, reforçando a mensagem de inclusão. 

A responsável por acender a pira, revelada apenas no último momento, foi a tenista Naomi Osaka. Sua participação também teve peso além do âmbito esportivo - a japonesa de ascendência haitiana, que cresceu e fez carreira nos Estados Unidos, recentemente chamou a atenção para as questões de saúde mental envolvendo os atletas.

Minimalismo e homenagens a mortos em Munique

A cerimônia começou com uma queima de fogos no Estádio Nacional de Tóquio. Foi um rápido momento de excitação, que deu lugar a um clima sóbrio, por vezes até sombrio, com referências claras à pandemia. 

Os primeiros 20 minutos do espetáculo apresentaram vídeos com referências aos atletas treinando em casa. Quando o show voltou à apresentação ao vivo no estádio, artistas espalhados pelo palco, utilizando esteiras e outros aparelhos, demonstraram ao vivo a sensação do treino em isolamento, distante do contato com os outros.

A primeira parte ainda contou com um cumprimento entre o imperador do Japão, Naruhito, e o presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach. Na sequência, outro momento sóbrio, com um minuto de silêncio aos mortos no atentado realizado nas Olimpíadas de 1972. O episódio conhecido como Massacre de Munique é a maior tragédia da história dos Jogos.

A segunda parte trouxe uma coreografia mais dinâmica, com muito sapateado e movimento. Referências à cultura local, como a lanterna japonesa, também apareceram na apresentação dos artistas. Em seguida, houve a aparição dos anéis olímpicos.

Naquele que foi um dos momentos mais impactantes da cerimônia, uma estrutura montada com 1.800 drones formou um globo metros acima do Estádio Nacional. Na sequência, artistas, em vídeo, e um coro infantil, presencialmente, cantaram uma versão de “Imagine”, de John Lennon, que compôs a música junto com a parceira Yoko Ono, que é japonesa.

Delegações tiveram abordagens diferentes

O tradicional desfile dos atletas dos países foi mais rápida que o usual, e consideravelmente reduzida para evitar a presença de grandes grupos. Mesmo assim, algumas equipes apareceram com dezenas de atletas, como os Estados Unidos, Itália, Argentina e o próprio Japão.

A imensa maioria dos atletas desfilou de máscaras, mas países como Tadjiquistão e Quirgistão mostraram membros de sua delegação com o rosto inteiramente descoberto.

O Brasil esteve entre as delegações tentou mostrar alguma animação: Ketleyn Quadros e Bruninho até ensaiaram passos de samba durante a passagem.



 (*) Com informações da CNN.

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